“Cultura Gyaru” – parte 1

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Anteriormente já havia feito um post sobre as Gyarus, porém, com a crise o estilo teve de se adaptar, além de ser interessante comentar sobre o ParaPara, estilo de dança muito ligado às gyarus.

Como dito, gyarus são meninas que gostam de moda e escolhem um estilo de vida que, por muitos é visto de forma errada ainda.
Muitas meninas não chegam à faculdade pois escolhem trabalhar para manter o estilo de vida, com trabalhos sempre relacionados à moda de alguma forma.

AS MUDANÇAS

Com a crise que assolou o mundo, as gyarus, igualmente ao resto do mundo, tiveram que se adaptar. Levando em conta que quase nenhuma delas, praticamente, estudou além do tempo obrigatório no Japão, muitas não conseguiram manter seus empregos (que já não eram grande coisa) e tiveram de adaptar seu guarda-roupa ao seu novo estilo financeiro.

Com a crise já dita, as lojas de departamento começaram a ser, ainda mais (pois SEMPRE foram), frequentadas pelas gyarus de estilos considerados mais caros como onee.

Além da crise outros fatores influenciaram na mudança dos sub-estilos encaixados na “categoria” gyaru.
Nos anos 90 e no começo dos anos 2000 Ganguros, manbas e seus derivados eram bastante comuns, com as suas peles exageradamente bronzeadas, o barulho todo e o estilo de vida não muito agradáveis (muitas eram extremamente pobres pois gastavam todo seu dinheiro com roupas, bronzeamento e descoloração do cabelo), mas, com o envelhecimento das meninas que antes seguiam um desses estilos, eles foram, lentamente, morrendo.

 

Rumiringo como manba

 

 

Rumiringo como oneegyaru. Capa da revista EGG

 

Não que não se encontrem mais manbas ou ganguros, mas, agora, elas se tornaram menos radicais, menos chocantes e levam uma vida já mais normal se considerar o fato de, algumas de suas antecessoras, até mesmo viviam nas ruas e dormiam em lan-houses.

Com a “morte” dos estilos mais radicais, as gyarus começaram a caminhar, lentamente, para algo mais natural e comum com os anos, trazendo um amadurecimento maior e saindo daquela necessidade de se destacar, de ser diferente, de chamar a atenção que havia no começo.

 

Tsubasa Masuwaka, modelo da PopSister

 

 

PARAPARA, TECHPARA E TORAPARA

O ParaPara surgiu na década de 90 e é, aplamente, relacionado com as gyarus, que se sentem, por alguma razão, bastante atraídas pela dança. Inclusive, a maioria esmagadora dos paralistas (dançarinos do ParaPara) e technohitos (dançarinos do TechPara) que aparecem em DVDs são gyarus -mulheres e homens (sim, existem homens gyarus. Basta olhar o artigo já feito).

O ParaPara tem duas sub-vertentes, conhecidas como TechPara (Techno) e o Tra/ToraPara (Trance), cada uma com suas características próprias e com um tipo de música exclusivo.
Enquanto o ParaPara é dançado ao ritmo do Euro Dance ou Japanese Euro Dance, o TechPara é dançado ao ritmo do Hyper Techno e o TraPara ao ritmo do Epic Trance.

O ParaPara e TechPara têm se tornado cada vez mais unidos ao mundo Gyaru.
Rumiringo, por exemplo, uma paralista é, também, uma modelo (de forma esporádica) para revistas Gyaru e, algumas revistas já lançaram DVDs com a suas modelos executando rotinas de diversas músicas mais conhecidas.

 

 

Rumiringo no encarte do DVD HYPER BEST

 

O point de encontro de muitos Galsa’s (Gal Circle, um grupo de Gyarus) são as boates de ParaPara e TechPara espalhadas pelo Japão todo e, muitos desses circles formam seus próprios Parasa (Para Circle), gravando vídeos e montando suas próprias rotinas para certas músicas.
Porém, é melhor falar dos Para’s num tópico extra.

VOLTANDO E CONCLUINDO

É visível que o mundo gyaru é mais complexo do que se imagina (e até menos fútil do que parece), engloba diversos fatores que, por mais que pareçam fácil, tornam o estilo mais interessante.
Em todas as divisões e trends é necessário o fator sexy, até mesmo quando as meninas se utilizam de roupas masculinas.

Com o tempo nós vemos que o gyaru saiu da necessidade de chamar a atenção e ser diferente, para a simples necessidade de se sentir mais bonita e, de certa forma, mais “desejável”, sexy. E a ocidentalização se tornou ponto forte.
O uso de lentes de contato para aumentar a retina, cílios postiços e tecnicas para aumentar os olhos e descoloração do cabelo são pontos fortes nos visuais.

A cultura gyaru se baseia em três pilares: moda, beleza e diversão. E esses três pilares são as coisas que uma gyaru, de certa forma, procura sempre manter em sua vida e, apesar de ter certos pontos estatizados (como qualquer outro grupo), a visão de moda, beleza e diversão não é obrigatoriamente a mesma para todas.

No próximo tópico falaremos de puricura, uma das maiores manias entre as gyarus e maquiagem!

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9 Respostas to ““Cultura Gyaru” – parte 1”

  1. Mestre Yoda Says:

    Essas garotas estilos gyaru e lolitas sofrem algum tipo de descriminação no Japão?Elas usam roupas muito estravagantes para o ”estilo comum”.

    Já até passou na minha cidade uma embaixadora Kawaii, eu não acreditei no que vi a priori, pensava que aquele mulher tinha saido do hospicio ou algum assim, se vestindo daquele jeito em pleno verão beirando aos 30°!

    • bayushki Says:

      Olha, na verdade não. É bom sempre pensar que no Japão a coisa corre de um jeito diferente, porém, o preconceito (digo com as gyarus) vem por outras razões.
      Muitas são tidas como mulheres fáceis, o que tem um background histórico (meninas que fazem enjo kosai), além de diversas notícias envolvendo mals tratos de mães gyarus aos filhos e o fato das manbas (que depois eu vou falar melhor, é bem longo).

      Não sei te dizer sobre as lolitas, quem falaria melhor disso seria a Shii, mas, sobre as roupas é fácil te afirmar que preconceito com isso, ao menos nas cidades grandes, não “existe”, não como aqui.
      Por lá é comum ver esse tipo de diferença, de estravagância.

  2. catkiki Says:

    Mestre Yoda:

    É aqui no Brasil que existe esse preconceito idiota, pq por alguma razão o povo é muito assustadinho não vejo o porque!

    Lolitas, Gyarus, góticos, punks nao mordem só pra deixar bem claro!!!
    Não sei pq o povo brasileiro acha normal uma putaria, um funk por exemplo é normal uma menina de 13 14 anos dançar funk é ótimo né os pais acham lindo! Agora se a menina for alternativa seja lá qual estilo todo mundo vai ficar horrorizado!
    Realmente é uma coisa que nao entendo!

    Pra mim quem parece que saiu do hospício é quem paga caro em coisas que todo mundo tem que nem o povo faz no Brasil! É tanta, tanta vontade de ser igual a todo mundo que o povo chega a gastar uma nota pra ter uma bolsa que trilhares de pessoas já tem! Isso sim eu nao entendo e acho q eh tudo vindo do hospício!

    • bayushki Says:

      Nossa… disse tudo… toda a revolta que eu tenho com o Brasil 8D
      Mas não vamos começar achando que o Japão é o país perfeito, muitas gyarus sofrem preconceito também, mas, como eu disse, não é por conta das roupas e tals.

      Acho que eu o segundo post vai acabar sendo sobre isso!

  3. Mestre Yoda Says:

    bayushki e catkiki

    Olha, eu não queria criticar ninquem não.Eu só relateu minha primeira impressão quando vi a embaixadora Kawaii em 2009, que usava um estilo de roupa que nunca vi e ficava impossivel não exisitir,no momento, algum ”pre-conceito”.

    Gosto do japão, principalmente na area de tecnologia,jogos eletronicos e por ser um pais bem peculiar pra nos ocidentais(por isso que vejo alguns blogs).
    Respeito qualquer pessoa independente do estilo,cultura,etinia e ect, e sou contra qualquer ato discriminatoria.

    • bayushki Says:

      Não ofendeu não, Mestre Yoda!
      Eu entendo como é estranho a primeira vez. Eu mesma, a primeira vez que vi uma gyaru pensei “PORRA, que bicho é esse?” e hoje… ahn… eu sou gal =D

      Eu acho que é engraçado a nossa primeira reação, porque é um choque, não somos nem um pouco acostumados com isso, então não acho errado pensar que a mulher saiu do hospício 8D eu, particularmente, pensaria assim também se fosse a primeira vez que eu visse.

  4. tiago Says:

    > catkiki
    eu acho que você está questionando a cultura capitalista (do consumismo, e se você olhar bem, o que você compra todo mundo aqui tém, também)…
    A parte do funk se chama: Cultura. Cada grupo social, nação, população, possui a sua de alguma forma.
    E se você analisar o contexto em que estas pessoas que idolatram o funk estão?

    Sensacional esta série de artigos sobre estas diversos grupos japoneses!!

  5. catkiki Says:

    Tiago:

    Bom em primeiro lugar, nao, a maioria das coisas que eu compro a maioria das pessoas nao tem…sorry. Segundo eu nunca pagaria caro em uma coisa que todo mundo tem! E outra coisa o mundo capitalista eh uma maravilha, eu nao tenho nada contra, mto pelo contrário! Mas talvez vc nao tenha percebido, muitas pessoas no Brasil adoraaaam pagar caro em uma coisa q todo mundo tem pra se sentir “in” ou sei lá mais por qual razão!
    Não estou criticando a cultura capitalista, mas sim a sociedade e o jeito dela se portar principalmente em relação a coisas novas diferentes que nao se vê todo dia! O brasileiro fica assustado com coisas diferentes, eh isso que eu quero dizer, eu vejo isso pois eu sou diferente e eu sei como me olham e o preconceito as pessoas tem por ai!
    Realmente nao entendo!
    E nao funk nao eh cultura! Eh modinha! cultura e modinha sao coisas beeem diferentes! Samba sim faz parte da nossa cultura. Mas por favor chamar funk de cultura eh cruel, nem existe a tanto tempo assim pra se falar disso! E além disso se vc quis dizer que só pessoas de classes sociais mais baixas escutam funk, vc está errado. Hoje em dia todo mundo, todas as classes sociais gostam, curtem, dançam funk, nao há contexto pra isso, se eh q vc nao percebeu, inclusive jovens de todas as classes sociais! Ou vc acha q só pq eh rico tem bom gosto pra música? hahaha

  6. Mestre Yoda Says:

    As pessoas podem se vestir do jeito que queiram mas na hora de trabalhar, procurar algum emprego ou ir pra universidade tem que se vestir de modo adequado.

    Agora por analogia, imagine uma brazuca na praia de Yokohama com roupa de banho fio dental.As pessoas lá iam logo criticar e provalvelmente ia ser atentado ao pudor!Só os marmajos que iam gostar.

    Infelizmnte Catkiki, voce nasceu no lugar errado.

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